Troca-Pevides



Dedico este post a todos, especialmente a todas, que me acompanham aí desse lado e que estão comigo “na luta”.

“Normal” por definição, isto é, nem magra nem gorda, o fantasma da engorda (ora apenas uma subtil ameaça, ora já a bater-me com o dedo pontiagudo no ombro quando ganho um bocado de peso a mais) sempre me assombrou. Desde muito miúda que fujo dos croissants a sete pés e que sei que os bolos de arroz são piores que os pastéis de nata e que as bolachas de água e sal ganham 2-0 às bolachas maria. Tudo exemplos de um profundo conhecimento acumulado ao longo dos anos, está claro!

Se este fosse um texto sobre nutrição, área de saber que vou perseguindo mais ou menos intensamente, dependendo das fases da lua e do ponteiro da balança, teria imensa coisa para vos dizer. Mas, de facto, muito honestamente, acho tudo isto que nos injetam diariamente sobre o tema “muito pouco consistente do ponto de vista científico” - palavras dos meus pais médicos.

Quando andava na pré-primária ou na primeira classe – não consigo localizar com precisão no tempo esta memória - tinha um livro de trabalhos manuais que se chamava Troca-Tintas. Esse livro, que me lembro de adorar, tinha na capa um grande palhaço de cabelo ruivo e de sapatão verde, se a memória não me atraiçoa. No Troca-Tintas podíamos fazer de tudo um pouco: desenhar, pintar, picotar, destacar, recortar, ligar pontos, etc...

Esta, além de ser uma memória bonita, é uma analogia que quero fazer relativamente ao que me vai na alma quando todas as vezes que vou ao Lidl tentar comprar o tal do Skyr o estafermo está sempre esgotado. Sendo que, à custa disso, lá vou eu ter que lanchar outra vez – peguem na caneta e no papel para apontar – 1 iogurte magro natural, 2 colheres de sopa rasas de aveia, 1 colher de sobremesa de sementes de chia ou de sésamo e 2 colheres de sopa de framboesas, que é como quem diz umas 7 ou 8. Ufa! Alguém ainda desse lado?

Sim, é verdade que ando metida nestas vidas. Sim, também é verdade que a fronteira entre a sanidade mental e a loucura já foi mais distinta...

Mas continuando com a minha analogia estapafúrdia que passo a explicar:

Mais ou menos como no caos de um enorme livro de trabalhos manuais em que praticamente tudo é possível, e que se não for a picotar e destacar, haverá de ser a recortar, der isso por onde der, também na nutrição (desculpem se estiver a ferir suscetibilidades), as coisas andam a ficar um bocado assim! A informação em excesso e contraditória é tanta e vem de tantas direções diferentes que, às tantas, no meio desta roda viva, já nem sabemos bem onde foi parar a única roda que devia interessar, a dos alimentos (algo contemporâneo ao meu tão querido Troca-Tintas).

Meus amigos e amigas, peço que não me levem muito a sério e que considerem isto um desabafo de quem anda metida numas sementes e outras coisas parecidas.

Bora lá trocar umas pevides? :)

Bom apetite!

Roupa para cão, Futilidade ou Necessidade?




Confesso que este é um tema sensível que por momentos hesitei colocar no separador “coisas de gente”. Na realidade e na maior parte das vezes (até porque quem escolhe a roupa, obviamente, somos nós e não o nosso cão) esta é uma necessidade nossa de nos convencermos que estamos a oferecer um presente ao nosso “mais que tudo de 4 patas”, satisfazendo, na verdade, o nosso lado consumista e irremediavelmente piroso.

Terceira Idade também é coisa de cão


{ 5 sugestões para o nosso “velhote” ter mais qualidade de vida }


Decidi abordar este tema mais difícil porque, apesar da inevitabilidade de virmos a ter que passar por isso um dia, na realidade ninguém gosta muito de falar ou de pensar sobre o assunto. 

O mais natural é construirmos uma imagem mental do nosso cão, ou do cão que gostaríamos de vir a ter, jovem, ativo e dinâmico. Contudo, essa realidade ao longo dos anos vai se desvanecendo e nós, na correria da nossa vida, quase nem nos apercebemos das pequenas alterações que estão a acontecer todos os dias. O nosso companheiro, tal como nós, também está a envelhecer, com a agravante que para ele, infelizmente, o tempo passa muito mais depressa.

Eu mesma estou a viver de perto esta situação com o Zeus, um Sr. São Bernardo com uns muito dignos 12 anos, que vive em casa dos meus pais e que viveu também comigo os primeiros 7 anos de vida. Por ter saído de casa dos meus pais e deixado de estar com o Zeus todos os dias, comecei a ter uma percepção do seu envelhecimento muito mais cedo do que eles. Algumas vezes, de semana para semana, notava pequenas diferenças, sobretudo motoras. Posso vos dizer com a maior honestidade que não é fácil e vai nos deixando com uma sensação terrível de impotência, vermos o nosso cão a perder capacidades e, pior, a sofrer com isso.

Este post pretende, assim, dar-vos algumas sugestões que irão com certeza melhorar a velhice do vosso cão que pode e deve ser digna e sem dor!